Santos

S. Teresa de Calcutá, virgem

 

Nota Histórica

Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu em Skopje (Albânia), a 26 de agosto de 1910. Chamada à vida missionária, ingressou na Congregação das Irmãs de Loreto, em 1928, e depois foi enviada para a Índia. A 10 de setembro de 1946 recebeu uma “vocação dentro da vocação” para servir o Senhor nos mais pobres dos pobres. Assim, após dois anos, iniciou um apostolado em prol da multidão dos pobres e desamparados, fundando as Congregações das Missionárias e dos Missionários da Caridade. Aceitando com serenidade o sofrimento da escuridão interior, demonstrou plenamente a vitória da luz de Cristo, até que, confiadamente, se entregou ao descanso eterno, em Calcutá, a 5 de setembro de 1997.

 

Missa

Deus de misericórdia,
que chamastes santa Teresa [de Calcutá], virgem,
a corresponder ao amor do vosso Filho, sedento na cruz,
com exímia caridade para com os mais pobres dos pobres,
concedei-nos, por sua intercessão,
a graça de servir a Cristo nos irmãos atribulados.
Ele que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo,
por todos os séculos dos séculos.

 

Liturgia das Horas

Ofício de Leituras

Segunda Leitura
Dos escritos de santa Teresa de Calcutá, virgem

(Carta enviada ao Rev. Joseph Neuner, cerca de 1960:
B. Kolodiejchuk, Mother Teresa. Come be my light, p. 209-212)

Se a minha escuridão for luz para alguma alma, fico plenamente contente.

Na Congregação das Irmãs de Loreto, Padre, eu era muito feliz; em minha opinião, era a mais feliz das irmãs. Depois veio a vocação. Nosso Senhor pediu-me diretamente; a voz era clara e cheia de persuasão. Voltou a chamar-me, uma e outra vez, em mil novecentos e quarenta e seis. Eu sabia que era Ele. Havia medos e sensações terríveis dentro de mim, pois temia ser induzida em erro. Tendo sempre vivido em obediência, expus todo o assunto ao meu padre espiritual, esperando ao mesmo tempo que ele considerasse tudo isto como um engano do diabo. Mas nada disso. Tal como aquela voz, também ele me disse: “É o próprio Jesus que te pede isto”. E depois sabe como tudo se passou. As minhas superioras enviaram-me para Asansol, em mil novecentos e quarenta e sete, onde nosso Senhor pareceu entregar-se a mim completamente. A doçura, o consolo e a união daqueles seis meses passaram depressa! Por fim, em dezembro de mil novecentos e quarenta e oito, a obra começou.
Agora, Padre, desde mil novecentos e quarenta e nove ou mil novecentos e cinquenta sinto na minha alma esta terrível sensação de privação, esta escuridão indescritível, esta solidão, este contínuo ardente desejo de Deus que me provoca uma dor profunda no meu coração. A escuridão é tal que realmente não vejo, nem com a minha mente nem com a minha razão. O lugar de Deus na minha alma está vazio. Deus está ausente de mim. Quando a dor do anseio se torna insuportável, eu só anseio e anseio por Deus; e então sinto que Ele não me quer, que Ele não está aqui. Céu, almas... serão apenas palavras que nada significam para mim? A minha própria vida parece tão contraditória. Para onde ajudo as almas a ir? Porquê tudo isto? Onde está a alma no meu ser? Deus não me quer. Por vezes sinto que o meu coração clama de facto “Meu Deus”, mas nada acontece. Não consigo descrever a tortura e a dor. Desde a minha infância amo Jesus com a maior ternura no Santíssimo Sacramento, mas também este amor se desvaneceu. Não sinto nada diante de Jesus, mas não quero, de forma alguma, perder a Sagrada Comunhão.
Eis, Padre, a contradição na minha vida. Anseio por Deus, quero amá-Lo, amá-Lo profundamente, viver somente para o seu amor, apenas amar e, contudo, nada há senão dor, nem desejo nem amor. Há alguns anos, cerca de dezassete, quis dar a Deus algo de muito belo. Obriguei-me sob pena de pecado mortal a nada lhe recusar. Desde então tenho mantido esta promessa, e, por vezes, quando a escuridão é mais densa e estou prestes a recusar algo a Deus, o pensamento dessa promessa sustenta-me.
Só quero a Deus na minha vida. “As Obras” são verdadeira e exclusivamente suas. Ele chamou-me, disse-me o que devia fazer, dirigiu cada um dos meus passos, dirige cada um dos meus movimentos, coloca palavras na minha boca, concede-me a capacidade de ensinar o caminho às minhas Irmãs. Tudo isso e tudo em mim é Ele. Por isso, quando o mundo me elogia, a minha alma não se comove, nem sequer levemente. Quanto à obra, acredito que toda ela procede d’Ele.
Antes, podia passar muitas horas diante do nosso Senhor, amando-O e falando com Ele; mas agora, até a meditação é difícil: não digo nada, ou apenas “meu Deus”, e por vezes nem sequer esta invocação me sai. No entanto, algures no fundo do meu coração, o desejo de Deus continua a abrir caminho nas trevas. Quando ando por fora, no trabalho ou a encontrar pessoas, sinto a presença de Alguém que vive muito perto de mim, verdadeiramente dentro de mim. Não sei o que é isto, mas muitas vezes, mesmo diariamente, o amor a Deus torna-se mais real dentro de mim, e de repente, sem dar por isso, dou por mim mesma a dizer a Jesus as mais extraordinárias palavras de amor.
Padre, abri-te o meu coração. Ensina-me a amar a Deus, ensina-me a amá-Lo muito. Não sou instruída; não sei muito das coisas de Deus: quero amar a Deus da forma e na medida em que Ele é o “meu Pai”.
O meu coração, a minha alma e o meu corpo pertencem só a Deus. Ele enjeitou, como indesejada, a filha do seu amor. Por este motivo, Padre, neste afastamento decidi colocar-me à sua disposição. Faça de mim o que lhe aprouver, como lhe aprouver, enquanto lhe aprouver. Se a minha escuridão for luz para alguma alma – mas, também, mesmo que nada valha para ninguém – fico plenamente contente porque sou uma flor do campo de Deus.


Responsório Cf. Ct 3, 1-2; 5, 6; Sl 36 (37), 5
R. Procurei aquele que o meu coração ama; procurei-o, mas não o encontrei; chamei, e ele não me respondeu. * Confia ao Senhor o teu destino e tem confiança, que Ele atuará.
V. Procurei aquele que o meu coração ama: “Levantar-me-ei e darei a volta à cidade; pelas praças e pelas ruas procurarei aquele que o meu coração ama”. * Confia ao Senhor o teu destino e tem confiança, que Ele atuará.

Oração
Deus de misericórdia, que chamastes santa Teresa [de Calcutá], virgem, a corresponder ao amor do vosso Filho, sedento na cruz, com exímia caridade para com os mais pobres dos pobres, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de servir a Cristo nos irmãos atribulados. Ele que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

 


Notice: Constant URL already defined in /home/liturgia/public_html/menus/footer.php on line 2