Formação, serviço e comunhão marcam abertura dos Cursos de Música Litúrgica

Teve lugar no dia 21 de agosto, na Domus Carmeli, em Fátima, a sessão de abertura do 7.º e 8.º Cursos de Música Litúrgica, promovidos pelo Secretariado Nacional de Liturgia (SNL) e pelo Serviço Nacional de Música Sacra (SNMS). A nova edição reúne 70 participantes, provenientes de 15 dioceses portuguesas, que, até 30 de agosto, participam num programa intensivo de formação litúrgica e musical.

Na sessão de abertura, o diretor do Secretariado Nacional de Liturgia, P. Joaquim Ganhão, saudou os professores e alunos em nome de D. José Cordeiro, Presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade, e de todo o Secretariado Nacional de Liturgia. Destacou a presença de participantes provenientes das dioceses de Angra, Aveiro, Beja, Braga, Bragança, Coimbra, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Porto, Santarém, Setúbal, Vila Real, Viseu e Algarve, expressão da dimensão nacional deste percurso formativo.

Na sua intervenção, o P. Joaquim Ganhão propôs uma breve reflexão sobre o sentido da formação que reúne, durante estes dias, alunos e professores, sublinhando que o trabalho realizado no curso se projeta no serviço que cada participante é chamado a prestar nas suas comunidades.

O diretor do SNL retomou, para esse efeito, algumas palavras da catequese do Papa Leão XIV dedicada ao ministério da música na Igreja, proferida na audiência geral da semana anterior. Partindo do capítulo VII da Constituição Sacrosanctum Concilium, dedicado à música sacra, o Papa recordou a riqueza da tradição musical da Igreja e a sua íntima relação com a ação litúrgica.

«A música faz parte da ação litúrgica e não é mero adorno da celebração», salientou o P. Joaquim Ganhão, destacando que, na liturgia, «cantar e tocar significa rezar», participando com toda a assembleia no mistério celebrado.

A música litúrgica, acrescentou, manifesta também a dimensão afetiva da oração. «Nós, muitas vezes, mesmo na liturgia e na oração, somos demasiado cerebrais e pomos pouco coração», observou, recordando a expressão de santo Agostinho retomada pelo Papa Leão XIV: «Cantar é próprio de quem ama». O canto ajuda, assim, «a abrir o coração à ação de Deus» e favorece a comunhão, tornando-se «epifania da Igreja», manifestação sensível da unidade que pertence à sua própria natureza.

A reflexão incidiu igualmente sobre a responsabilidade daqueles que assumem o serviço da música nas comunidades. Recordando que a música sacra possui critérios e exigências próprios, o diretor do SNL sublinhou a necessidade de uma formação séria, competente e permanentemente renovada.

«A música sacra e a música litúrgica nas nossas dioceses precisam de novos cuidados», afirmou, reconhecendo os desafios que permanecem no contexto português. Perante esses desafios, convidou os participantes a assumirem um papel ativo: «É preciso inverter essa marcha para trás, colocando-nos para a frente com criatividade, com inventividade, com competência e, para nós cristãos, com santidade».

O P. Joaquim Ganhão apresentou, deste modo, a formação como uma responsabilidade de todos, recordando que o caminho da música sacra no país não começa agora, mas é uma peregrinação que outros iniciaram e que as novas gerações são chamadas a continuar. «Somos chamados a dar hoje o melhor de nós para que ela caminhe mais e melhor», afirmou.


Um curso exigente, ao serviço da Igreja

A dimensão prática e organizativa da formação foi apresentada pelo diretor do Serviço Nacional de Música Sacra, Prof. Emanuel Pacheco, que recordou aos participantes o caráter particularmente intenso destes cursos. Com dois níveis a decorrerem simultaneamente, os trabalhos integram disciplinas como Harmonia, Formação Musical, História da Música Sacra, Órgão, Canto, Direção de Coro e Liturgia.

Aos participantes, sobretudo aos que frequentam o curso pela primeira vez, foi apresentado o conjunto de professores que asseguram a formação, num corpo docente que reúne especialistas das diferentes áreas. O Prof. Emanuel Pacheco sublinhou que todos os professores assumem esta missão como um serviço à Igreja e às comunidades: «Somos um grupo de professores que estamos aqui como serviço, a prestar o serviço para uma coisa em que acreditamos piamente».

O responsável chamou igualmente a atenção para a exigência do percurso formativo e para a importância da assiduidade e do estudo pessoal. «O curso é um curso muito, muito intenso», afirmou, lembrando que a participação plena nos diferentes momentos é indispensável para que os objetivos da formação sejam alcançados. O trabalho destes dias, acrescentou, «conta essencialmente com a vossa entrega e a vossa vontade de fazer».

Ao apresentar as condições concretas em que decorrerá o curso, o diretor do SNMS destacou também a dimensão de serviço que está na origem desta iniciativa. «Já são muitos anos que os cursos começaram, porque alguém teve esta ideia ótima de contribuir para que nós, na Igreja, tivéssemos mais e mais qualidade naquilo que é o nosso ministério, o ministério da música», afirmou.


Uma obra construída por muitos

A abertura do curso foi também ocasião para reconhecer o contributo de todas as pessoas e instituições que tornam possível esta iniciativa. O Prof. Emanuel Pacheco agradeceu, em particular, à Domus Carmeli, pela disponibilidade da casa para acolher o curso, bem como ao SNL e o Santuário de Fátima.

O diretor do Serviço Nacional de Música Sacra destacou ainda o contributo da Casa de Órgãos e Sinos de Braga, que, desde 1991, disponibiliza gratuitamente instrumentos para os cursos. «Estas obras constroem-se com o trabalho de muita gente e com a entrega de muita gente», afirmou.

A sessão de abertura terminou com um convite à oração, recordando que a formação musical litúrgica não pode ser separada da vida de fé e do serviço à comunidade cristã.

Na conclusão da sua intervenção, o P. Joaquim Ganhão evocou as palavras de santo Inácio de Antioquia retomadas pelo Papa Leão XIV: «Vós, um por um, tornai-vos um coro, a fim de que, harmoniosos no acorde e assumindo a tonalidade de Deus na unidade, canteis em uníssono, por meio de Jesus Cristo ao Pai». A imagem do coro tornou-se, assim, uma síntese particularmente expressiva do caminho que os participantes são chamados a realizar: diferentes vozes e competências, reunidas numa mesma harmonia, ao serviço da liturgia e do louvor de Deus.

O 7.º e 8.º Cursos de Música Litúrgica prosseguem até 30 de agosto, constituindo mais uma etapa de um percurso de formação iniciado há mais de três décadas e orientado para a qualificação daqueles que exercem o ministério da música nas comunidades cristãs.

2026-08-22 00:00:00